quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Chibi me!

Aqui está o meu chibi, feito pela Joana Dias / Shinobinaku.



Não é amoroso? :)

Recomendo vivamente a visita ao Facebook e ao deviantART da autora, para quem quiser ver os trabalhos fantásticos que ela produz, neste e noutros estilos.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O que é matar?

Nunca me passou pela cabeça que alguma vez fosse concordar com um texto escrito pelo fundador da IURD, mas como isso acabou de acontecer, acho que o texto em questão é digno de ser aqui exposto.

Segue então o texto sobre o aborto, retirado do blog pessoal do bispo Edir Macedo:



Algumas pessoas têm questionado minha posição quanto à descriminalização do aborto. Um dos argumentos mais citados é quanto ao mandamento “não matarás”. Mas, me parece que o engano está na compreensão da totalidade do significado do termo “matar”.

O dicionário Houaiss, entre as várias definições que apresenta para este verbo, diz: “causar grande prejuízo ou dano a; arruinar.” E também: “causar sofrimento a; mortificar, afligir; ferir.” Vemos, com isso, que matar não é somente tirar a vida de alguém, mas também praticar qualquer ato que impeça que alguém tenha vida com qualidade, dignidade, felicidade.

Permitir que uma criança indesejada venha ao mundo em uma família desestruturada, sem condições de lhe oferecer uma vida minimamente digna, expondo-a à violência, maus tratos, perda da autoestima e tantas outras mazelas, não significa dar um ser à luz, mas sim condená-lo à morte; uma morte social e psicológica, que vai gerar a pior de todas as mortes: A ESPIRITUAL.

As crianças que andam pelas ruas, entregues à própria sorte, não nasceram; elas foram jogadas no mundo, como fruto da inconsequência e irresponsabilidade de adultos despreparados, muitos deles que apenas repetem a história de abandono e omissão da qual também foram vítimas.

Estas crianças, primeiro são odiadas por seus genitores e depois passam a ser odiadas pela sociedade. A mesma sociedade que levanta a bandeira do direito à vida é capaz de virar o rosto em atitude de asco, e atravessar a rua para não passar perto de um menor indigente estirado no chão, cheirando a fezes e urina. O nome disso é hipocrisia.

Os que gostam de apontar pecados, precisam ver que o erro não está em interromper uma gravidez indesejada, mas está antes: na banalização do sexo, na desinformação, nos inúmeros fatores que levam um casal a se relacionar e gerar um filho com o mesmo descompromisso com que encaram a própria vida.

Não estamos fazendo apologia do aborto; estamos dizendo “não” à hipocrisia. As mulheres não deixam de abortar porque isso é um ato ilegal. A decisão de interromper uma gravidez tem como motivo principal o fato de ela não ser desejada, causada por fatores que vão desde uma noite de loucura até violência sexual. Se esta decisão for tomada, ela será levada a cabo, independentemente de sua legalidade, em clínicas clandestinas, que podem levar estas mulheres à morte, mutilação ou sequelas de procedimentos mal realizados.

A legalidade do aborto permite que estas mulheres possam ser atendidas clinicamente da maneira que procede, e não coloquem sua vida em risco. Isso é direito à vida.

A legalidade do aborto evita que crianças inocentes venham ao mundo para sofrer e ter uma vida miserável.

A legalidade do aborto evita a clandestinidade dos procedimentos cirúrgicos.

Uma mulher que deseja interromper uma gravidez, seja pelo motivo que for, não é uma criminosa, é um ser humano em aflição, que precisa ser acolhido, amado, orientado e não condenado. É este o papel que a IURD tem realizado como Igreja.

A todas as pessoas que olham para estas mulheres com ódio e intolerância, achando que com isso estão agradando a Deus, fica esta Palavra: Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele. I João 3:15



Fiquei surpreendida por a IURD ter uma posição destas em relação ao aborto. Com excepção das partes religiosas, que não me dizem nada, acho que o senhor falou muito bem.


Ah, e como este é um assunto polémico e eu não tenho nada que justificar nem discutir a minha posição em relação ao mesmo, fica já o aviso de que não vou responder a comentários menos agradáveis ou que provoquem discussão. Não é esse o objectivo deste post.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Flashmob na faculdade! \m/

Aqui fica o vídeo do flashmob organizado pelo tutorado do Instituto Superior Técnico para a recepção aos novos alunos, e no qual tive imenso gosto em participar. Depois de alguns dias de ensaios intensivos, aqui está o tão esperado resultado, que pode não ser perfeito em termos técnicos, pois ninguém aqui é dançarino, mas que cumpriu certamente o seu objectivo: surpreender quem passava e transmitir alegria e energia. :)




Estou tão orgulhosa de nós que não consigo parar de rever o vídeo, haha. :D

domingo, 7 de novembro de 2010

Folk Lusitânia

Convido todos os meus seguidores a visitarem o Folk Lusitânia, um fórum que frequento e modero, com um ambiente excelente, e onde muito tenho aprendido. O FFL é um fórum que promove o revivalismo de uma cultura ancestral por muitos esquecida, com especial destaque para a música. É também um espaço aberto à discussão saudável e equilibrada, com base no respeito mútuo, e sem qualquer ligação com ideologias políticas ou religiosas.



O Fórum Folk Lusitania foi criado com o intuito de divulgar o folk nacional e internacional, bem como diferentes aspectos com ele relacionados. As raízes, as diferentes tradições, as músicas eternas que passaram de geração em geração e que ainda perduram, os instrumentos arcaicos utilizados, cujo som transmite uma magia única, não esquecendo as bandas que, de uma forma genial, combinam os sons ancestrais com as novas influências modernas. Estes são os elementos que caracterizam este fórum. Contamos com a tua participação, pois um fórum desenvolve-se com os seus elementos, constituindo não só um espaço de informação, mas também de divulgação e discussão.




Folk, Neoclássica, New Age, World Music, Darkwave, Medieval, Étnica, Folk Metal, Symphonic Metal, Dark Ambient, Neofolk, Marcial, entre outros géneros relacionados ou com influências destes.


Visitem-nos em: http://folklusitania.heavenforum.com/ :)
E também no Facebook.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Morre Lentamente





Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco"
e os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite,
uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
chuva incessante,
desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!



Já dizia a Lili, e com razão, "estar vivo é o contrário de estar morto".

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A Arte
Imagem: Apatia, de Paula Rosa
Poema: A Morte Devagar, de Martha de Medeiros

domingo, 20 de junho de 2010

Apodreço





O tempo passa, e só eu fico,
Nesta funda cova sem luz.
O crime cometido? Existir!
Nada mais encontro em mim
Que me faça merecer assim
Estar pregada a esta cruz.


Todos vencem, mas eu fico,
Condenada a ser apenas
Espectadora de vitórias.
Carcaça oca e consumida
Que, outrora, cheia de vida
Alcançou tremendas glórias.


E eles que passam, enquanto eu fico
a sangrar eternamente
no meu leito, de vermes cheio,
Rasgam-me as feridas abertas,
Deixam-me as vísceras descobertas,
Ávidos de sofrimento alheio.


E eu apodreço, e aqui fico,
Inválida, imóvel, impotente,
Aguardando a minha morte.
Mas eu sei que ela não vem,
pois esta maldição de ninguém
Jamais me trará tamanha sorte.




**************
A Arte

Imagem: Wound, de Mark Ryden.
O poema é meu. Se alguém o quiser usar, agradeço que me consulte e que indique a fonte, quando o fizer.

domingo, 2 de maio de 2010

Fuck the motherfucking pope!





Timothy Minchin é um comediante, músico e actor canadiano e o autor desta hilariante canção que, a meu ver, deveria passar nas rádios portuguesas aquando da "tour" papal ao nosso país. =P A animação também é uma pérola e foi feita por Fraser Davidson.


A letra está aqui:


Fuck the motherfucker, fuck the motherfucker,
Fuck the motherfucker he's a fucking motherfucker.
Fuck the motherfucker, fuck the fucking fucker,
Fuck the motherfucker he's a total fucking fucker
Fuck the motherfucker, fuck the motherfucker,
Fuck the mother fucker, fuck him, fuck the motherfucker.
Fuck the motherfucker, fuck the motherfucking pope.

Fuck the motherfucker, and fuck you motherfucker
If you think that motherfucker is sacred.
If you cover for another motherfucker who's a kiddy-fucker,
Fuck you, youre no better than the motherfucking rapist.
And if you dont like the swearing that this motherfucker forced from me
And reckon it shows moral or intellectual paucity
Then fuck you motherfucker, this is language one employs
When one is fucking cross about fuckers fucking boys

I don't give a fuck if calling the pope a motherfucker
Means you unthinkingly brand me an unthinking apostate.
This has nowt to do with other fucking godly motherfuckers
I'm not interested right now in fucking scriptural debate.
There are other fucking songs and there are other fucking ways,
I'll be a religious apologist on other fucking days,
But the fact remains if you protect a SINGLE kiddy fucker
Then Pope or Prince or Plumber, you're a fucking mother fucker.

See I don't give a fuck what any other motherfucker
Believes about Jesus and his motherfucking mother.
Ive no problem with the spiritual beliefs of all these fuckers
While those beliefs dont impact on the happiness of others,
But if you build your church on claims of fucking moral authority
And with threats of hell impose it on others in society,
Then you, you motherfuckers, can expect some fucking wrath
When it turns out youve been fucking us in our motherfucking asses.

So fuck the motherfucker, and fuck you motherfucker
If youre still a motherfucking papist.
If he covered for a single motherfucker whos a kiddy-fucker,
Fuck the motherfucker, hes as evil as the rapist.
And if you look into your motherfucking heart and tell me true
If this motherfucking stupid fucking song offended you,
With its filthy fucking language and its fucking direspect,
If it made you feel angry, go ahead and write a letter,
But if you find me more offensive than the fucking possibility
The pope protected priests when they were getting fucking fiddly
Then listen to me motherfucker - this here is a fact,
You are just as morally misguided as that motherfucking,
Power-hungry, self-aggrandized bigot in the stupid fucking hat.






Como eu gosto disto...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Alice

É tão giro quando o mundo moderno pega nas coisas da nossa infância e as traz de volta. =) Aconteceu-me isso com a Alice no País das Maravilhas; fiquei em alvoroço quando se começou a falar do filme do Tim Burton e quando esse universo começou a ressurgir na cultura pop. Aderi imediatamente ao hype, coleccionando coisas, lendo as obras e vendo os filmes, numa tentativa vã de reentrar nessa wonderland em que vivia quando era criança.

E depois de tanto explorar a obra, terminei ontem a minha saga da Alice no País das Maravilhas, e vou deixar aqui algumas recomendações para quem quiser seguir-me os passos. Aliás, terminei a parte da leitura, pois ainda me falta encontrar uma versão do filme animado que vi quando era pequena, no tempo do VHS. Lembro-me que eu tinha a versão da Disney, em inglês, com título em pt "Alice no País das Fadas" (que já consegui recuperar e rever), e a minha melhor amiga tinha uma "Alice no País das Maravilhas" diferente, dobrada em português (não me recordo se pt-pt ou pt-br), em que a Alice vestia de vermelho. Alguém sabe do que é que estou a falar? Gostava muito de encontrar essa versão... =( Nem me lembro se é boa ou não, mas pelo menos ficava a saber...


Quantos aos livros, para quem não tem grande paciência para ler e-books, mas até nem se importa de ler num site, e procura a obra na língua original, recomendo vivamente este site que encontrei no ano passado.



Para quem, como eu, dá valor às ilustrações que enriquecem a obra, dificilmente encontrará melhor, pois esse reúne uma infinidade delas, combinando artistas e estilos diferentes. Apesar de o site não ser propriamente moderno, adorei mesmo ter lido o livro por aí. =)

Este ano, e depois de ter visto o filme do Tim Burton - que me desiludiu um pouco -, resolvi ler a colecção das duas obras que inspiraram os filmes (Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho), lançada pelo Expresso, em quatro volumes.

Para perceberem como esta colecção vale a pena, termino este post com a minha review no Goodreads (igual para os 4 volumes da colecção). Aqui vai:



Alice do Outro Lado do Espelho (Volume, #2) Alice do Outro Lado do Espelho by Lewis Carroll


My rating: 5 of 5 stars
Parabéns ao Expresso por esta magnífica colecção que tão bem adapta a Alice à nossa língua.

De facto, é uma tarefa ingrata traduzir estas obras que Carroll tanto enriqueceu com piadas, trocadilhos, poesias e expressões victorianas, que só fazem sentido na língua inglesa. Roubar um texto desta complexidade linguística à sua língua-mãe é violento; é assumir uma trágica e inevitável consequência da tradução: o empobrecimento da obra.
Contudo, ao longo das páginas dos livros desta colecção, assistimos a contínuas explicações daquilo que se traduziu. São inúmeras as informações anexas em notas de rodapé que nos remetem para as intenções do autor, para o texto original e para os elementos que inspiraram Carroll a escrever determinado conteúdo. Este cuidado em transmitir a mensagem da obra ao leitor o mais fielmente possível, apesar das limitações da tradução, tornam a experiência da leitura em português bastante interessante e não menos rica do que seria em inglês.

De destacar ainda as deliciosas ilustrações de Diogo Muñoz que desafiam os limites da imaginação e nos remetem imediatamente para um mundo de maravilhas, e os posfácios de Miguel Esteves Cardoso, que nos ajudam a reportar-nos à nossa infância e a entender a simplicidade de Alice.

Para concluir, mesmo não conhecendo outras edições em português e não tendo, portanto, um termo de comparação, considero que vale muito muito a pena conhecer a Alice através desta colecção do Expresso.

View all my reviews >>

segunda-feira, 29 de março de 2010

Conteúdos Exclusivos dos Epica (para download)


Vim há bocado do concerto dos Epica no Incrível Almadense. Para quem ainda não sabe, os Epica são a minha banda preferida já desde alguns anos, e de vez em quando gosto de comprar umas "mariquices" deles...

Hoje comprei UMA PEN USB de 1Gb que é, ao mesmo tempo, UMA PULSEIRA dos Epica! (yay! =D) O melhor de tudo é que esta pen trazia uma série de conteúdos exclusivos dos Epica, desde músicas a vídeos, passando por tabs, artigos de revistas e muitas fotos.

Para quem não quis dar 10€ por isto, eu vou fazer o favor de partilhar todo o conteúdo da pen. Quem o quiser baixar, que fique à vontade. ;)


JM EPICA CONTENT MAPPEN 1


JM EPICA CONTENT MAPPEN 2



Para não ficarem chocados, aviso já que existe aí uma versão nigga da Sancta Terra, que me deixou meio enjoada. De resto, espero que gostem.


E pronto, agora vou ali ver se ponho o pescoço no sítio, que as últimas horas foram um bocado "possuídas".


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Foto: Não tirei fotos do concerto, roubei esta ao meu color brother. Obrigada, Gonçalo. ;)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Foda-se!



«O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.»

Encontrei este texto magnífico no blog de Mário Martins, e tomei a liberdade de o roubar para o meu blog porque, de facto, descreve exactamente aquilo que eu penso acerca dos palavrões. Eles fazem bem, acreditem...

Passo a transcrever:

Foda-se - por Millôr Fernandes
(adaptado)


O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à
quantidade de "foda-se!" que ela diz.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma
pessoa melhor.
Reorganiza as coisas. Liberta-me.
"Não quer sair comigo?! - então, foda-se!"
"Vai querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então,
foda-se!"
O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos
extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário
de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos
mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua
língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que
vingará plenamente um dia.
"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a
ideia de muita quantidade que "comó caralho"?
"Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão
matemática.
A Via Láctea tem estrelas comó caralho!
O Sol está quente comó caralho!
O universo é antigo comó caralho!
Eu gosto do meu clube comó caralho!
O gajo é parvo comó caralho!
Entendes?
No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a
mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".
Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem
nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.
O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto.
Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades
de maior interesse na tua vida.
Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro
para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência.
Solta logo um definitivo:
"Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!".
O impertinente aprende logo a lição e vai para o Centro
Comercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema,
e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD (...)
Há outros palavrões igualmente clássicos.
Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu
correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente,
sílaba por sílaba.
Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito
assim, põe-te outra vez nos eixos.
Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se
reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um
merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.
E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua
maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?
Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus
quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de
seu interlocutor e solta:
"Chega! Vai levar no olho do cu!"?
Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima.
Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar
firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado
amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de
maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a
sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!".
Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para
uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de
ameaçadora complicação?
Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor
num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo
assim como quando estás a sem documentos do carro, sem
carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a
mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"
Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada
funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a
saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os
empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e
em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a
desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!”
Então:
Liberdade,
Igualdade,
Fraternidade
e
foda-se!!!
Mas não desespere:
Este país … ainda vai ser “um país do caralho!”
Atente no que lhe digo!




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A Arte
Texto de Millôr Fernandes
Pintura: "Fuck You", de Marion Peck

domingo, 14 de março de 2010

Cada som como um grito

Muitas vezes tenho uma sensação de "hoje sou esta música", e faço dessa música a banda sonora de um dia. Mas hoje, uma música não chega, hoje sou um álbum. E um dia também não chega para este "hoje" a que me refiro, pois este hoje são muitos dias de hoje, ontem e amanhã.


Para o "hoje" alargado em que tenho vivdo, esta é a minha letra:


I - LETREIRO



Porque não sei mentir,
Não vos engano:
Nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
De insatisfação,
Diante de qualquer adoração,
Ajuízo.
Não me sei conformar
E saio, antes de entrar,
De cada paraíso.


II - PRELÚDIO



Reteso as cordas desta velha lira
Tonta viola que de mão em mão
Se afina e desafina.
E de onde ninguém tira
Senão acordes de inquietação

Chegou a minha vez e não hesito
Quero ao menos falhar em tom agudo
Cada som como um grito
Que no seu desespero diga tudo
E arrepelo a cítara divina
Agora ou nunca meu refrão antigo
O destino destina mas o resto é comigo


III - RELÂMPAGO



Rasguei-me como um raio rasga o céu
Iluminei-me todo de repente
Negrura permanente
De noite enfeitiçada
Quis ver-me com pupilas de vidente
E arrombei os portões à madrugada
Mas nada vi
Caverna de pavores
Só com tempo e vagar eu poderia encarar
Castigar e perdoar
Tanta abominação que em mim havia


IV - ORFEU REBELDE



Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade no meu sofrimento.
Outros, felizes, sejam rouxinóis...
Eu ergo a voz, assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.
Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo de um poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.








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A Arte

Álbum Cada Som como um Grito, dos Orfeu Rebelde, com poemas de Miguel Torga. Aproveito e lanço o apelo: façam como eu, VÃO À FNAC E COMPREM O ÁLBUM. Nem chega a 5€ e é das coisas mais geniais que se fizeram neste país nos últimos tempos!

Imagens, por ordem de aparecimento:
The Morrigan, deusa celta da guerra, morte e transformação, por Jessica Galbreth;
Violin Herido, de Victoria Francés;
Under Black Wings, de paradox828;
Libera me, de Victoria Francés

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano novo. Balanços e planos.

É tempo de fazer balanços do ano que passou e planos para o ano que acaba de chegar.

É simples, aparentemente... Está tudo aqui, na nossa mente. Toda a gente sabe perfeitamente o que correu bem, o que correu mal, e o que gostaria que acontecesse no futuro, certo? É claro como água.


...Não é?



É verdade que está tudo na nossa mente, sim. Mas como? Claro como água? Uma água turva, talvez... Está tudo lá, sim, mas meio perdido, misturado com outras coisas, oculto pelo receio de nos explorarmos a nós próprios, escondido pelo conforto de estarmos bem assim como estamos.



Façamos um exercício.



Terá de ser feito com calma, sem prazo para entregar. Teremos de meditar um pouco e explorar a maneira como olhamos para nós próprios. O que é que sou agora? O que é que aspiro ser? Tenho trabalhado para tal? O que é que me falta e o que é que posso fazer para continuar a crescer ininterruptamente? (Partindo do princípio que não quero estagnar na vida, obviamente). Novos objectivos? Aventuras? Como estão as minhas auto-estima, auto-confiança e realização pessoal? Porque é que estão assim? O que é que preciso de disciplinar em mim e o que é que me falta soltar?


Quase desde que me conheço que me lembro de fazer listas com este tipo de coisas, não só mas sobretudo nesta altura. Desde há uns anos para cá, tenho sido preguiçosa e, por coincidência ou não, sinto que estagnei bastante em alguns aspectos chave da minha vida; noutros mais importantes ainda, regredi drasticamente. Obviamente, nem tudo foi negro nos últimos anos, e também cresci imenso, em algumas áreas. No entanto, tenho-me sentido fora do meu controlo.



É tempo de voltar ao velho hábito então.





O que pretendo fazer consiste basicamente na elaboração de duas listas. A primeira é a lista dos erros e do passado, com o que fiz de mal, com o que está errado em mim, com aquilo que não gosto de ser - eventualmente com os motivos, ou não. A segunda é a lista dos desejos e do futuro, com aquilo que gostava de conseguir mudar e alcançar, admitindo que vale tudo, possíveis e impossíveis, os meus desejos mais puros, sejam eles quais forem.

Duas listas.
Escritas.
Em papel.
À mão.



Duas listas intermináveis, se preciso for, mas que me façam esmiuçar até à exaustão aquilo que vejo quando olho para mim própria. Sem medo de expor as minhas maiores fraquezas. Ninguém vai ver.

Quem nunca fez este tipo de coisa, talvez não compreenda o impacto que tem fazer as coisas desta maneira, mas escrever assim dá-nos uma noção muito mais aprofundada e realista das coisas. Além, disso, dá uma motivação diferente. Dá muito mais vontade de cumprir aquilo que foi escrito do que aquilo que foi pensado (ou só vagamente lembrado). Está escrito e é um compromisso. Podes assiná-lo, se quiseres, para recordares que é mesmo a tua palavra, quando a tua preguiça insistir em esquecê-la.


É o teu compromisso contigo mesmo, e tu és a última pessoa que queres desiludir.





Façam este exercício.




Mas façam mesmo!




Beijinhos e Bom Ano Novo. =)



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A Arte
Imagem: Young Woman Writing a Letter (detalhe), Eugène Grasset.