segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Homofóbico

Há pouco, fui abordada na rua por um homem que estava completamente escandalizado por estarem ali dois rapazes a beijarem-se. Dizia ele que é uma vergonha, e que nunca tinha visto tal coisa em 12 anos a viver na França e 50 em Portugal. Deve ser uma coisa mesmo grave, para um velho vir a correr atrás de mim para me dizer "Oh menina, não queira arranjar um homem assim!" (e eu a pensar "Dafuq, mas se é gay claro que nunca vou arranjar um assim, dado que eu sou - ora bem, como é que hei-de dizer - ah, mulher!).

Também não sei o que é que isso tem a ver com a coisa, mas o senhor fez questão de me dizer, muito orgulhosamente, que tem três filhos, e que nenhum deles tem cabelo comprido ou brincos - e foi aqui que eu explodi. Nesta altura, o homem já me tinha ofendido a mim, ao meu namorado, e a uma carrada de amigas e amigos meus. Também tive vontade de o ofender. Acho que me surgiu até um instinto animalesco qualquer, tal foi a raiva que se apoderou de mim, que tive até vontade de o agredir e ver aquela cara horrorosa, acéfala e sapuda a ir contra o muro (obviamente, não o fiz, nunca na vida faria tal coisa).

E portanto, com esta produtiva conversa que me vi obrigada a ter, fiquei a saber que dois rapazes a beijarem-se na rua é um acto vergonhoso, capaz de meter os velhos da minha rua a correr de um lado para o outro para comentarem o caso com transeuntes aleatórios; fiquei também a saber que o cabelo curto é para os homens e o cabelo comprido é para as mulheres; ah, e que os homens também não podem usar brincos!
E fiquei sobretudo a saber que ainda há muita gente estúpida neste país. Não que não desconfiasse já, mas hoje pude confirmar na primeira pessoa.