segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Abrigada. Cada espectáculo deixa uma memória.

Passou-se há cerca de 1 ano. Foi a primeira vez que tocámos sob o nome 11th Dimension em vez de Thorns (Covers) (o nosso primeiro projecto), mas acabámos por tocar tudo e mais alguma coisa: originais, covers que sabíamos, e covers que não sabíamos e que se calhar até inventámos, e quando o repertório esgotou ainda repetimos umas quantas. Aquilo que seria uma actuação com umas 4 ou 5 músicas virou horas a que perdemos a conta, de música atrás de música, porque o público não nos deixava sair. Foi, provavelmente, o espaço mais pequeno onde já tocámos, e as pessoas estavam literalmente em camadas, como se percebe pela foto. Não sei onde fomos buscar energia, onde fomos buscar dedos (aqui eu também ainda tocava guitarra), nem onde fomos buscar voz para aquilo tudo, mas de certeza que sugámos um bocadinho da energia que este público emanava, pois foi a massa de gente mais incansável e festiva que tive à minha frente.
No final, fez-se uma jam com os nossos instrumentos, com os músicos que por lá estavam.
Passou-se na Abrigada.
Não conhecíamos praticamente ninguém.
Foi num concurso de bandas, onde cada semana tocava uma banda a concurso. A última semana foi a nossa. Não ganhámos, nem tínhamos intenções disso.
Foi a última noite que este bar teve as portas abertas, esta foi a despedida de todos.
Soubémos também que um dos rapazes que mais curtiu aquela noite faleceu este ano, algo que me incomodou imenso.
Não sei bem porquê, lembrei-me disto, e apeteceu-me partilhar a história. Não tem uma moral no fim, mas há dias assim que simplesmente nos marcam e nos voltam à memória.